Alomorfia

Ôh meu benzinho, não te disseram que a terra gira?
Pois é as coisas mudam, se transformam.
Sabe aquele amor que eu tinha por você?
Pois é as coisas mudam, se transformam.

Por que você não se decidiu?
Acaso esperava que eu adivinhasse, tomasse partido por você?
Olha, eu te amei demais, eu quis tanto cuidar de você.
Mas você não se importou.
Você não quis apostar.

Não te falaram que a terra gira?
A lagarta pode virar uma borboleta tanto quanto uma larva pode virar um mosquito perigoso.
Você achou que eu estaria ao seu dispor por toda vida?
Meu bem, todo mundo tem dúvidas, e sempre terão.
A meta não é a dúvida e sim o conhecimento que você alcança com ela.
Mesmo que você queira ser este menino pra sempre,
Um dia alguém vai querer mais. Você vai querer mais.
Vai chegar um momento em que suas ilusões se transformarão em um pesadelo
Suas incertezas lhe atrasa.
Você vai ter que ter uma resposta.
Seja positiva ou não.

Eu até poderia te dizer que não me importo.
Mas sei que isso não afetará só você.
Talvez você não consiga enxergar, mas existe um mundo ao seu redor.

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Brasília, 49 anos!

Grande parte da população brasiliense é composta de idosos

Grande parte da população brasiliense é composta por idosos

Os agravantes da exploração infantil

Denunciar a exploração infantil ainda é a melhor alternativa para erradicação do trabalho de crianças em fábricas, empresas e ruas


Estima-se que cerca de 2,7 milhões de crianças e adolescentes trabalham de forma irregular no Brasil

Estima-se que cerca de 2,7 milhões de crianças e adolescentes trabalham de forma irregular no Brasil

A última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD 2007) aponta o Distrito Federal como o estado com menor índice (4%) de crianças exploradas pelo trabalho infantil. A tolerância e a impunidade são os maiores agravantes dessa situação. A exploração interfere em todos os setores da sociedade, tanto social quanto cultural, político e econômico.

Apesar de estudar e participar de programas sociais de erradicação, I.F. e A.F., 9 e 12 anos respectivamente, trabalham com venda de amendoim e ovos de codorna nas ruas da cidade satélite Taguatinga (DF). Juntos conseguem R$ 70 por dia. Para a família dessas crianças é importante que eles trabalhem para ajudar a aumentar a renda. Para eles, o trabalho é uma outra forma de lazer. Os dois irmãos participam do Segundo Tempo, programa federal de atividades culturais e esportivas no contra-turno escolar. Eles não têm a pretensão de ficarem ricos ou pararem de trabalhar. Querem apenas ajudar à família e seguirem, por meio dos estudos, uma carreira profissional.

Já F.C., 11 anos, trabalha desde os 9 em um restaurante de um clube em Samambaia, cidade satélite do DF. Como balconista, ele já passou por várias situações de risco no restaurante, que vão desde brigas entre os usuários até riscos de assalto. Sua mãe Maria José, 38 anos, reclama da remuneração do filho. “Se fosse um adulto não aceitaria o que o dono do restaurante paga”, diz. Ela sabe que o filho é explorado, mas não tem incentivo para tirá-lo do local. A renda arrecadada ajuda a custear as necessidades do filho em material escolar, roupas e nas despesas de casa. Eles não têm nenhuma ajuda do governo. “Meu sonho é ser médico e pastor porque quero ajudar as pessoas”, diz F.C., confiante de que só conseguirá por meio dos estudos.

A conscientização popular e as políticas públicas são essenciais para a erradicação do trabalho infantil. Em 15 anos, o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI), juntamente com políticas públicas e ações comunitárias, conseguiram reduzir em 75% o número de crianças exploradas em todo o Brasil de acordo com dados do Unicef, entidade que investe financeiramente em projetos que garantem os direitos de crianças e adolescentes no Brasil. Algumas políticas públicas ajudam na renda familiar e na formação cultural das crianças. Um exemplo é o programa Segundo Tempo, criado pelo governo federal com o objetivo de democratizar o acesso à pratica esportiva praticado no contratempo escolar.

Um outro fator que ajuda na descontinuidade do trabalho infantil é a denúncia feita não só pela população, mas também pelos meios de comunicação. A mídia tem o papel, inclusive, de pressionar o Estado a realizar mudanças através de denúncias e coberturas amplas sobre o tema da exploração infantil.

Eliane Santos, representante do Ministério Público do Trabalho, afirma que o combate às várias formas de exploração no trabalho infantil é um dever não somente das empresas, mas da sociedade, de um modo geral.

Para Renato Mendes, membro da Diretoria Executiva da Organização Internacional do Trabalho – OIT, “a sociedade deve fazer sua parte: denunciar os abusos e maus tratos contra a criança”. Para ele, a omissão também é uma violação contra os direitos humanos.

Arte

“Ouse, ouse… ouse tudo!!

Não tenha necessidade de nada!
Não tente adequar sua vida a modelos,
nem queira você mesmo ser um modelo para ninguém.

Acredite: a vida lhe dará poucos presentes.
Se você quer uma vida, aprenda… a roubá-la!
Ouse, ouse tudo! Seja na vida o que você é, aconteça o que acontecer.
Não defenda nenhum princípio, mas algo de bem mais maravilhoso:
algo que está em nós e que queima como o fogo da vida!!”

— Lou-Salomé

Contos

1.

Mal pude acreditar naqueles rostos espantados e no pavor que rapidamente se alastrou pela rua. Não durou muito e o barulho da sirene já penetrava por todas as quadras.

Meu Deus! Como demorei a associar que o incêndio se passava no lote em que havia me mudado há poucos dias. Lembro-me também que, além da mudança de domicílio, havia passado por uma mudança no horário de trabalho e agora estava no período noturno, o que me deixava ainda atordoado.

Quando cheguei ao portão estava suado, o sapato, que o moleque de rua lustrara pouco antes, estava totalmente marrom de tanta poeira. Com o novo emprego, Agora eu podia contratar alguém para ficar na mecânica que meu pai montou para mim.

2.

Desligou o despertador do celular, enjoado e com dores na cabeça, cerrou os olhos na tentativa de lembrar-se de como e quando havia chegado em casa…

Finalmente, depois meia hora de relutância, decidiu levantar-se. O desequilíbrio, causado pela pisada incerta em algo, que descrevera mais tarde como macio e extremamente frio, fê-lo cair de joelhos aos pés da cama. A imagem que vira adiante causou-lhe pânico e uma estranha satisfação. Pensou em gritar, mas abafou, engoliu seco. Com a face pálida, pernas e mãos trêmulas sentiu a roupa molhada.

– Como? Não sei. Mas está aqui e vai continuar. – balbuciou esbaforido.

Com as sobrancelhas franzidas e a boca entreaberta, juntou as palmas das mãos entre o peito e fez uma oração muda, como em todas as manhãs.

Chutou para baixo da cama o braço estendido e com o lençol enxugou rápido o líquido diurético empoçado no chão.

– As chaves…

A mecânica, ao fundo do lote, onde trabalhava, tinha gasolina o suficiente para o que começara a maquinar em pensamento.

(Ludimila Loureiro)